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Xenofobia na África África do Sul força regresso de Moçambicanos e mobiliza Governo para novos acordos



A crescente onda de violência contra imigrantes na África do Sul continua a afectar cidadãos moçambicanos residentes naquele país, levando muitas famílias a abandonarem os seus bens e regressarem a Moçambique em busca de segurança.

 Paralelamente, o Governo moçambicano intensificou esforços diplomáticos para minimizar os impactos da crise e garantir apoio aos seus cidadãos.

Uma missão governamental liderada pela Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior regressou de Pretória após manter encontros com as autoridades sul-africanas. Entre os entendimentos alcançados destacam-se o reforço da assistência humanitária, apoio ao transporte de cidadãos que desejem regressar voluntariamente ao país e o fortalecimento da cooperação em matérias migratórias e laborais.

O cenário torna-se ainda mais preocupante devido à morte de pelo menos seis cidadãos moçambicanos em actos de violência registados em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental. Um dos corpos já foi trasladado para Moçambique, enquanto decorrem preparativos para o repatriamento dos restantes, num processo suportado pelo Estado moçambicano.

Apesar das garantias das autoridades sul-africanas de que não existe qualquer ultimato oficial contra estrangeiros, muitos imigrantes continuam a viver sob um clima de medo e insegurança. Em várias comunidades persistem manifestações e discursos anti-imigração, aumentando a preocupação entre cidadãos provenientes de países vizinhos.

Relatos indicam que diversos moçambicanos abandonaram empregos, encerraram pequenos negócios e regressaram ao país apenas com os seus pertences essenciais, deixando para trás patrimónios construídos ao longo de anos de trabalho.

Face à situação, o Governo moçambicano apelou aos cidadãos em situação migratória irregular para regularizarem a sua documentação ou considerarem o regresso voluntário ao país. Está igualmente prevista uma campanha nacional de registo de nascimento e emissão de Bilhetes de Identidade para facilitar a documentação de milhares de cidadãos.

Entretanto, cresce o debate sobre a capacidade de Moçambique acolher um eventual aumento do número de regressados, numa altura em que o desemprego continua a representar um dos principais desafios sociais e económicos do país.

Enquanto decorrem negociações diplomáticas entre os dois Estados, milhares de famílias continuam a enfrentar a incerteza, numa crise que volta a evidenciar os desafios da xenofobia na África do Sul.

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