O Terminal Rodoviário da Junta, em Maputo, tornou-se palco de uma crise que volta a expor uma ferida antiga da África Austral: a perseguição a estrangeiros na África do Sul.
Mais de 300 cidadãos Malawianos chegaram ao local depois de abandonarem às pressas bairros e comunidades onde viviam e trabalhavam, alegadamente para escapar a uma nova onda de violência xenófoba.
Muitos chegaram apenas com a roupa do corpo. Outros carregam sacos improvisados com os poucos bens que conseguiram salvar antes de deixarem para trás casas, negócios e anos de trabalho.
O que era para muitos o destino das oportunidades transformou-se, mais uma vez, num cenário de medo, perseguição e incerteza.
A imagem dos autocarros descarregando famílias inteiras em território moçambicano levanta uma questão incómoda: quantas vezes mais a África do Sul assistirá à expulsão de africanos por outros africanos antes que o problema seja tratado como uma emergência regional?
Os relatos que circulam entre os recém-chegados falam de ameaças, intimidações e de um ambiente cada vez mais hostil para cidadãos estrangeiros. Para muitos, permanecer significava correr riscos. Fugir tornou-se a única alternativa.
