Julius Malema, líder do EFF, condenado por discurso de ódio na África do Sul

O político sul-africano Julius Malema, líder do partido Economic Freedom Fighters (EFF), foi condenado pelo Tribunal de Igualdade da África do Sul por discurso de ódio, após declarações proferidas durante um comício em 2022.

Na ocasião, Malema incitou à violência depois de um incidente entre um membro do EFF e um homem branco. Entre as frases citadas no processo estão: “Nenhum homem branco vai me bater” e “Você nunca deve ter medo de matar”. O tribunal concluiu que as palavras demonstraram “intenção de incitar danos”.

O EFF, partido de extrema-esquerda fundado por Malema, alegou que as declarações foram retiradas do contexto.

A decisão reacende polêmicas em torno do deputado, que já havia enfrentado processos semelhantes. Em um caso anterior, foi condenado por entoar um cântico da era do apartheid com referências a agricultores brancos africâneres, decisão posteriormente anulada.

Além das controvérsias internas, Malema tornou-se figura de destaque internacional. Um vídeo seu chegou a ser exibido pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, durante encontro com Cyril Ramaphosa, no qual acusou o governo sul-africano de permitir ataques contra fazendeiros brancos. Pouco depois, Washington suspendeu toda a ajuda financeira ao país, alegando políticas “antibrancas e antiamericanas”.

Apesar de ser deputado, Malema não ocupa cargos governativos. Ainda assim, enfrenta fortes críticas em território nacional e internacional pelas suas posições radicais, incluindo manifestações públicas de apoio ao grupo palestiniano Hamas. Neste ano, já viu o Reino Unido recusar-lhe duas vezes o visto de entrada.

O Tribunal de Igualdade sul-africano ainda não definiu qual será a punição aplicada, que pode variar entre um pedido público de desculpas, pagamento de indemnização ou mesmo abertura de processo criminal.


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