Famílias de jornalistas desaparecidos exigem respostas ao governo moçambicano

As famílias dos jornalistas Ibraimo Abù Mbaruco e Arlindo Chissale continuam devastadas com o desaparecimento dos seus entes queridos e acusam o governo de Moçambique de falhar nas investigações.

Ângela Quintal, diretora regional do Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) em África, afirmou que “a sugestão de cumplicidade militar é mais um sinal condenatório de que Moçambique não é um país seguro para jornalistas”. A responsável apelou ao governo do presidente Daniel Chapo para esclarecer o paradeiro dos repórteres, como forma de garantir a segurança e liberdade da imprensa no país.

Também Ernesto Nhanale, diretor executivo do MISA Moçambique, criticou a falta de ação das autoridades. “É estranho e não faz sentido que o desaparecimento de um jornalista tenha sido arquivado sem esgotar todas as linhas de investigação técnica e independente. Esta decisão revela o desinteresse do Estado em esclarecer crimes contra jornalistas”, declarou, recordando que, oito meses após o desaparecimento de Chissale, não houve qualquer esclarecimento oficial.

No caso de Mbaruco, colegas e familiares tentaram contactá-lo após o seu desaparecimento em 2020, mas o telemóvel encontrava-se desligado. Curiosamente, foi religado em junho do mesmo ano, facto comunicado às autoridades pelo MISA, que apelou ao uso de geolocalização para seguir os seus passos. Um agente da polícia, sob anonimato, revelou à organização que o jornalista teria sido levado por militares para interrogatório em Mueda, a 300 quilómetros de Palma.

Chissale recebeu um alerta de que estava numa “lista de alvos a abater” antes de desaparecer. Conhecido pelas suas críticas à Frelimo e apoio à oposição nas eleições de 2024, o jornalista já tinha sido detido em 2022, acusado inicialmente de terrorismo e mais tarde de trabalhar sem acreditação.

O desaparecimento dos dois profissionais soma-se a um histórico de assédio e prisões contra jornalistas em Cabo Delgado, região marcada pela insurgência ligada ao Estado Islâmico desde 2017.

Apesar de o presidente Chapo ter incentivado, em fevereiro, os repórteres a “continuarem a fazer o seu trabalho com excelência”, o CPJ alertou em carta enviada em março que será “difícil” cumprir essa diretiva enquanto persistir o ambiente de medo e a falta de responsabilização pelos desaparecimentos.

Fonte MozNews 

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