Uma madrugada que deveria marcar apenas o nascimento de uma criança transformou-se num retrato chocante da crise que assola algumas unidades sanitárias do País, e desta vez, foi em Nampula, onde uma jovem acabou por dar à luz no chão de um hospital, com a ajuda de uma estagiária, enquanto, segundo denúncias acompanhadas por imagens, algumas parteiras profissionais encontravam-se a dormir em camas destinadas aos pacientes.
O caso gerou revolta entre familiares e utentes que presenciaram a cena. De acordo com os relatos, a parturiente chegou à unidade sanitária em trabalho de parto avançado, mas não recebeu assistência imediata.
Minutos depois, já sem tempo para qualquer encaminhamento, acabou por dar à luz à entrada da enfermaria, diante de outros pacientes e acompanhantes.
Enquanto a jovem lutava contra as dores das contrações, uma estagiária assumiu a responsabilidade de auxiliar o nascimento da criança. Testemunhas afirmam que a intervenção ocorreu num cenário marcado pela desorganização, falta de material básico e ausência de resposta rápida por parte das profissionais de saúde que deveriam estar de serviço.
A indignação aumentou quando familiares alegadamente encontraram parteiras a dormir em camas destinadas aos pacientes. As imagens captadas no local mostram momentos de confronto verbal entre cidadãos e funcionárias da unidade sanitária, com acusações de negligência e desumanização do atendimento.
“Como é possível uma mulher dar à luz no chão enquanto existem camas disponíveis dentro do hospital? Como é possível que uma estagiária tenha de assumir um parto numa situação destas?”, questionou um dos familiares, visivelmente revoltado.
O episódio levanta sérias questões sobre as condições de funcionamento da unidade sanitária, a fiscalização dos serviços de maternidade e a responsabilidade dos profissionais escalados para prestar assistência durante a noite.
Fonte Ecotv
Afinal, numa maternidade, cada minuto pode significar a diferença entre a vida e a morte. E a pergunta que hoje ecoa entre os cidadãos é inquietante: se uma mulher foi obrigada a dar à luz no chão do hospital, quem está realmente a cuidar dos doentes durante a madrugada?
E até onde irá a suposta greve no sector da saúde? Questões que a APSUSM diz que cabem ao governo responder com intervenção imediata.
