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SERNIC detém indivíduos na Beira envolvidos em redes fraudulentas que vendem terrenos alheios pelo Facebook

 


Três cidadãos moçambicanos encontram-se detidos nas celas do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na província de Sofala, indiciados nos crimes de burla e venda ilegal de um terreno localizado na prestigiada zona do Estoril, na cidade da Beira. O esquema, que envolve falsos funcionários municipais e secretários de bairro, foi desmantelado após a denúncia de uma vítima que viu as suas poupanças de três anos serem roubadas.

De acordo com informações veiculadas pela Rádio Lichinga, o grupo de burladores simulou a venda de um talhão avaliado em 250 mil meticais. Entre os detidos estão duas mulheres, de 46 e 58 anos de idade, e um homem de 44 anos, que desempenhava as funções de intermediário (conhecido localmente como “nhonguista”).

O caso começou a desenhar-se quando a vítima encontrou um anúncio da venda do terreno na rede social Facebook. Atraída pela oportunidade, avançou para o negócio pagando o valor em prestações: uma primeira tranche de 150 mil meticais e uma segunda de 80 mil meticais.

A detenção, que ocorreu no passado dia 29 de Maio, deu-se em flagrante delito no momento em que os suspeitos tentavam cobrar a última prestação de 20 mil meticais. A vítima desconfiou da boa-fé dos vendedores quando, prestes a fechar o negócio, notou que o mesmo terreno continuava a ser publicitado no Facebook pelos mesmos indivíduos.

Até ao momento, as autoridades identificaram 5 indivíduos envolvidos nesta rede de falsificadores. Três já estão detidos e dois continuam foragidos: um suposto técnico do Município da Beira e um falso secretário de bairro, que davam uma aparência de legalidade à burla.

Perante as autoridades investigativas, os detidos acabaram por confessar o crime, justificando as suas acções com a falta de dinheiro. A tia, de 58 anos, confessou que aceitou fazer-se passar por proprietária legítima a pedido da sobrinha, usando os seus documentos de identificação em troca de 32 mil meticais.

A sobrinha, de 46 anos, admitiu ter arquitectado a fraude por atravessar graves dificuldades financeiras, tendo também recebido 32 mil meticais. O intermediário, de 44 anos, afirmou ter sido contactado por dois jovens que alegavam que o terreno pertencia à falecida mãe, tendo ganho 30 mil meticais para agilizar o negócio.

O porta-voz do SERNIC em Sofala, Alfeu Sitoe, explicou que estas redes criminosas estão cada vez mais sofisticadas na Beira, recorrendo a falsas identidades e fardamentos para enganar os cidadãos. Sitoe garantiu que as diligências continuam para neutralizar os restantes membros foragidos e deixou um apelo vigoroso aos moçambicanos.

O responsável recomendou que as pessoas nunca comprem um terreno sem antes confirmar a titularidade e a legalidade dos documentos junto das instituições competentes, como o Conselho Municipal ou a Direcção de Terras. Alfeu Sitoe alertou ainda para que os cidadãos desconfiem de facilidades, pois os burladores criam cenários fraudulentos complexos, chegando a apresentar casas e quintais alheios como se fossem seus.

Fonte MOZNEWS 

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