
O posicionamento surge após o Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) ter emitido um comunicado que gerou mais dúvidas do que certezas. A instituição gestora das prisões aludiu que o recluso teria iniciado uma greve de fome dias após a sua detenção, mas omitiu se essa condição prevaleceu até ao momento da sua morte.
Para Paulo de Sousa, a recusa de Sartori em ingerir alimentos é um elemento crucial que não pode ser descurado pelas autoridades de investigação. O especialista explicou que, no contexto prisional, este tipo de posicionamento radical esconde factores psicológicos e de segurança profundos.
“O acto pode ter sido um grito de revolta, desespero ou até mesmo medo de envenenamento”, alertou o criminalista.
O jurista e professor universitário foi mais longe, advertindo que o desaparecimento físico daquele que era considerado a “figura-chave” do processo poderá comprometer irremediavelmente o rumo das investigações.
A operação, que esteve a cargo do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) sob a égide da Procuradoria-Geral da República (PGR), envolveu buscas e apreensões complexas na residência e no escritório do finado empresário.
De Sousa esclarece que o desfecho trágico poderá fragilizar as linhas de acusação que estavam em construção pelas autoridades. Sem o arguido principal, a sustentabilidade do processo fica fortemente beliscada, abrindo-se um vazio legal e um espaço para incertezas sobre o destino dos factos investigados, sobretudo se as equipas forenses não tiverem acautelado a preservação de provas materiais robustas e suficientes antes da morte do empresário.
As atenções viram-se agora para o Ministério Público e para os resultados dos exames forenses, que deverão ditar se o mediático caso morre com o seu principal suspeito ou se haverá pernas para andar na justiça moçambicana.
Fonte MOZNEWS