
Hoje, na sociedade moçambicana, a dificuldade de a mulher procriar, tem gerado desentendimento no seio de algumas famílias, chegando em casos mais extremos resultando em separação.
Quando um casal se une, gera-se imediatamente uma expectativa de surgimento de filhos e quando tal não acontece, geralmente o problema é imputado a mulher que muitas vezes sente-se estigmatizada e rejeitada pela sociedade.
O Médico Ginecologista e Obstetra do Hospital Central de Maputo (HCM) Agostinho Daniel, explica que, em condições normais, um casal em idade fértil que mantenha relações sexuais no mínimo duas a três vezes por semana e sem utilizar qualquer método contraceptivo, é suscetível de gerar uma gravidez.
No entanto, o Ginecologista esclarece que só ao fim de 12 meses, de uma convivência íntima sem que surja gravidez, é que a preocupação de uma possível existência de infertilidade deve ser minuciosamente investigada.
É que, a chance de um casal fértil engravidar é de 15 a 25% por mês, e após um ano de tentativas essa taxa cumulativa será de aproximadamente 80%, por isso, é necessário esse tempo de espera para iniciar uma investigação sobre existência ou não de um quadro de infertilidade.
Daniel, sublinha que, uma vez que o acto de procriar, envolve sempre um progenitor masculino e outro feminino, a dificuldade em engravidar, deve ser entendido como problema do casal e nunca apenas da mulher como erradamente muitas vezes procura-se dar a entender.
Em relação aos factores de risco, o especialista divide em masculinos e femininos sendo que, neste último, que tem que ver com a fisionomia da mulher, destaca os problemas de ovulação, permeabilidade das trompas, cavidade ou espaço onde a gravidez vai se desenvolver, doenças como diabetes, tiróide e outras complicações de saúde.
Já no caso do homem, o Médico, elenca problemas relacionados com a quantidade e qualidade dos espermatozoides, que podem ter como origem, defeitos a nascença, os chamados congénitos ou defeitos do aparelho reprodutor masculino e ainda, problemas adquiridos ao nível do sistema de transporte dos espermatozoides do local de produção para o deposito na vagina.
Por isso, diz o Especialista, é imperioso que ambos consultem o médico para um diagnóstico mais apurado e assertivo.
Ainda de acordo com o Ginecologista, o facto de a mulher ter sido mãe antes, isso não garante que não venha a ter dificuldades para uma futura gravidez.
Sublinha ainda que, o diagnóstico de infertilidade também pode ser dado a mulheres que chegam a engravidar, mas por diversos motivos, não conseguem manter a gestação até ao fim.
Daniel Agostinho, chama atenção para não se confundir a infertilidade com a esterilidade pois, são coisas completamente diferentes. Segundo refere, apenas pode-se falar em esterilidade depois que o casal for devidamente analisado e, eventualmente, submetido a tratamentos de reprodução medicamente assistida, sem que se obtenham resultados favoráveis.
A infertilidade atinge até 15% dos casais e tem tratamento, mas, o que o casal deve ter em vista é que, mesmo com tratamentos de alta tecnologia, um dos factores mais importantes que determina a taxa de sucesso é a idade da mulher pois, a partir dos 35 anos, a fertilidade diminui em um terço.
A curva de procura nas consultas de Ginecologia do HCM por motivos de infertilidade, tem sido alta sendo que, embora não haja registos actualizados, a taxa de sucesso é das maiores. (HCM-DCI)
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