
O Tribunal Penal da Suíça, instância responsável pelo julgamento de crimes federais naquele país, anunciou na última sexta-feira (10), o arquivamento do processo contra o banco UBS. O caso está relacionado com suspeitas de lavagem de dinheiro em Moçambique envolvendo o Credit Suisse, antigo banco suíço de investimento e serviços financeiros, adquirido pelo UBS em 2023 no caso em que foi designado “dívidas ocultas”.
Segundo o tribunal citado pela Reuters, o arquivamento deve-se ao facto de o Credit Suisse já não existir como entidade jurídica com responsabilidade penal, na sequência da sua fusão com o UBS, realizada sob coordenação do Estado suíço há três anos.
Neste contexto, a instância judicial concluiu que o UBS não pode ser responsabilizado criminalmente por actos atribuídos ao Credit Suisse, uma vez que a responsabilidade penal não transita automaticamente em processos de fusão empresarial.
O caso remonta a Dezembro do ano passado, quando o Ministério Público da Suíça acusou o Credit Suisse de não ter impedido práticas de lavagem de dinheiro relacionadas com Moçambique.
Em causa estão financiamentos no valor de 2,7 mil milhões de dólares, destinados à criação de uma frota pesqueira de atum, no âmbito do escândalo das dívidas ocultas. Estas dívidas foram contraídas sem aprovação parlamentar e desencadearam uma grave crise económica no País.
Na altura, os procuradores defenderam que tanto o Credit Suisse como o seu sucessor legal, o UBS, não adoptaram “todas as medidas organizacionais necessárias e razoáveis” em 2016 para impedir operações suspeitas.
Em reacção à decisão, o UBS afirmou: “Acolhemos com satisfação o reconhecimento do tribunal de que o UBS não pode ser responsabilizado neste caso, uma vez que tal responsabilidade não pode ser transferida para um sucessor legal por meio de uma fusão”. Ainda assim, o acórdão poderá ser alvo de recurso.