A Renamo não esteve legalmente representada na audiência de contraditório desta sexta-feira, no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, no processo movido por António Muchanga em contestação da sua suspensão da estrutura do partido.
A ausência da defesa do partido da oposição, que tentou sem sucesso o adiamento da sessão por várias vezes, deixa agora a organização numa posição processual fragilizada, com a defesa de Muchanga a alegar que o partido confessou, por omissão, todos os factos apresentados na petição inicial.
Na ocasião, o ex-deputado da Assembleia da República, António Muchanga classificou a ausência da Renamo como um sinal de desorientação e de má-fé, acusando a actual liderança de utilizar manobras dilatórias para evitar o escrutínio judicial.
“O julgamento foi bom, mas tivemos situações vergonhosas. A questão que se levanta é: será que a Renamo não tem outras pessoas com conhecimento jurídico? Tem que ser refém do Macuane. Hoje a Renamo também não se fez presente, sendo que na outra sexta-feira não houve julgamento porque a Renamo não estava legalmente representada,” disse Muchanga.
Citado pelo Jornal Evidências, o político reforçou que a gestão de Ossufo Momade é o principal obstáculo à estabilidade da organização. “Eu termino aqui comprometendo-me a lutar. Conforme viram, a Renamo está cheia de furos. É um barco que, apesar de estarmos a tirar água com aqueles pilotos que de vez em quando furam quando querem, não pode chegar onde nós pretendemos. Por isso, há uma urgência de nós encontrarmos o mecanismo de tirar o Ossufo Momade da liderança e seus acólitos,” afirmou.
Por sua vez, o advogado de António Muchanga, João Mate, enfatizou que a falta de contestação dentro do prazo legal, aliada à ausência na sessão de hoje, acarreta consequências processuais decisivas.
“Eles não se opuseram, ou seja, se tiver que se considerar, confessa-se integralmente aqueles factos que estão na nossa posição inicial. Temos aqui uma impugnação específica. Se não contestaram, significa que eles confessam inteiramente, nos termos da lei, que a falta de oposição é subjectiva na confissão integral dos factos,” disse Mate, enaltecendo ainda a postura do tribunal em não ceder a novos pedidos de adiamento, sublinhando que a estratégia da Renamo visava apenas atrasar a decisão.
