A crise de combustível no país deixou de ser apenas um problema de escassez. Está a transformar-se, aos poucos, num terreno fértil para esquemas de corrupção que revoltam quem enfrenta horas nas filas todos os dias.
Em várias bombas, há relatos consistentes de práticas ilegais envolvendo funcionários responsáveis pelo abastecimento. Testemunhas afirmam que alguns “operadores de bomba de combustível” estão a cobrar valores por fora para permitir que certos automobilistas furem a fila. Quem paga, abastece rápido. Quem não paga, continua à espera, sem garantia de conseguir combustível.
“Fiquei quase quatro horas na fila. Depois vi carros a chegarem e a entrarem directo. Quando questionei, disseram-me que ali funciona assim, quem tem dinheiro não espera”, contou um cidadão visivelmente indignado.
As chamadas “boladas” estão a tornar-se rotina. Pequenos subornos, pagos discretamente, garantem acesso privilegiado num cenário onde o combustível já é escasso. O resultado é um sistema injusto, onde a necessidade básica se transforma em oportunidade de lucro ilegal.
Outro utente relata: “Há um grupo que controla aquilo. Se não deres nada, nem olham para ti. É humilhante.”
A situação está a gerar tensão nas filas, discussões constantes e até risco de confrontos. O desespero cresce à medida que o combustível desaparece e a confiança nas instituições diminui.
Especialistas alertam que, sem fiscalização rigorosa e medidas imediatas, o problema pode escalar. A corrupção em momentos de crise não só agrava a escassez, como destrói qualquer sentido de equidade entre os cidadãos.
Na última denúncia, um cidadão expôs a total desorganização: “Dizem que não pode haver full tanque para alguns carros, mas vemos outros a encherem sem limite. Aqui cada um faz a sua própria lei.”
Enquanto isso, o povo continua a pagar. Paga caro pelo combustível e paga ainda mais caro pela corrupção.
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