
O presidente do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), Venâncio Mondlane, exortou os profissionais de saúde a suspenderem temporariamente a greve anunciada, apelando ao seu engajamento imediato no apoio às populações afectadas pelas cheias que assolam várias regiões do País.
Através de uma nota divulgada este sábado (17), designada “Chamamento Nacional à Solidariedade e à Acção”, o ex-candidato presidencial reconhece a legitimidade das reivindicações dos profissionais de saúde por melhores condições de trabalho, mas sublinha que “o actual contexto humanitário exige um esforço extraordinário e sentido de responsabilidade colectiva”.
“Neste momento crítico, apelamos aos profissionais de saúde para que suspendam quaisquer anúncios de greve e se mobilizem voluntariamente para prestar assistência nos centros de acomodação e nas comunidades afectadas”, lê-se na nota.
Venâncio Mondlane apela à união de todos os moçambicanos, independentemente de filiações políticas, religiosas ou sociais, defendendo que o País vive “um momento de humanidade, não de indiferença”. O líder do Anamola orienta, igualmente, as suas estruturas, a todos os níveis, a envolverem-se activamente em acções de apoio às vítimas, incluindo mobilização comunitária e assistência directa.
O apelo surge numa altura em que a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou uma greve de 30 dias, iniciada ontem, sexta-feira, em protesto contra a degradação das condições laborais no sector da saúde. A paralisação ocorre num cenário de crescente pressão sobre o sistema nacional de saúde, agravada pelas cheias, que já provocaram deslocações forçadas, perdas humanas e elevados danos materiais em várias províncias.
Ademais, Mondlane apela aos empresários e cidadãos com espaços disponíveis em zonas seguras para que os disponibilizem, de forma solidária, para o acolhimento de pessoas afectadas pelas cheias. “O momento exige acção imediata, espírito patriótico e solidariedade efectiva”, conclui o documento, defendendo que só com união nacional será possível minimizar o sofrimento das populações afectadas e salvar vidas, num dos períodos mais difíceis que o País.