
O sul de Moçambique permanece sob alerta máximo, perante o risco iminente de colapso da Barragem de Senteeko, localizada em Barberton, município de Mbombela, na África do Sul. Embora a estrutura ainda não tenha rompido, as autoridades consideram o cenário crítico e altamente instável.
A parede da barragem sofreu erosão severa após oito dias consecutivos de chuvas intensas. Técnicos no terreno alertam que a estrutura pode ceder a qualquer momento, libertando um volume estimado em 1,8 milhões de metros cúbicos de água.
Apesar de uma ligeira estabilização do nível das águas registada a 20 de janeiro, a situação estrutural continua a deteriorar-se. Cerca de 30% da placa de betão do canal do vertedouro encontra-se suspensa ou danificada, aumentando o risco de falha súbita.
Caso a barragem rompa, a onda de cheia seguirá para o rio Crocodile e, posteriormente, para o rio Incomati, já em território moçambicano.
Com o Incomati já acima dos níveis de emergência, um colapso da barragem poderá triplicar a força do caudal. Especialistas alertam que essa massa de água poderá romper a estreita faixa de terra em Macaneta, permitindo a fusão directa entre o rio e o Oceano Índico.
Neste cenário, a península poderá ser engolida pelas águas, deixando de existir temporariamente como território habitável. Infraestruturas, estâncias turísticas, residências e campos agrícolas situados em cotas baixas ficariam totalmente submersos.