
Os Estados Unidos formalizaram, esta quinta-feira (22), a sua retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS), deixando em aberto cerca de 260 milhões de dólares em contribuições não pagas.
A decisão provocou uma grave crise orçamental na organização e levanta sérias preocupações sobre o futuro dos sistemas de saúde, sobretudo em África.
Ao assinar a ordem de retirada, o presidente Donald Trump classificou a decisão como “um grande passo”. A sua administração acusa a OMS de má gestão da pandemia da Covid-19 e de não demonstrar independência face a influências políticas de alguns Estados-membros.
O QUE ESTA DECISÃO SIGNIFICA PARA ÁFRICA
O impacto para o continente africano pode ser devastador. Os Estados Unidos eram responsáveis por 12% a 15% do orçamento total da OMS, e muitos países africanos dependem fortemente desse financiamento externo para manter serviços básicos de saúde.
Sem esse apoio, especialistas alertam para:
1️⃣ Aumento dos casos de HIV/SIDA, mortalidade materna e infantil, paralisação de programas de combate à tuberculose e interrupção da vacinação contra a malária;
2️⃣ Projeções indicam que até 500 mil pessoas podem morrer de HIV/SIDA apenas na África do Sul na próxima década;
3️⃣ Cerca de 27% do financiamento norte-americano canalizado pela OMS em África era destinado à erradicação da pólio, enquanto 20% sustentava o acesso a serviços essenciais de saúde;
4️⃣ Profissionais de saúde dos EUA foram instruídos a suspender imediatamente a cooperação com a OMS, limitando a resposta a surtos como o vírus de Marburg e a mpox (varíola dos macacos) em países africanos.
UMA REALIDADE DURA
Com a redução do financiamento internacional, o custo dos cuidados de saúde tende a recair cada vez mais sobre as famílias e os indivíduos, através de pagamentos diretos.
Milhões de africanos que dependem de campanhas de vacinação, programas de controle de doenças e respostas de emergência apoiadas pela OMS passam agora a correr sérios riscos.
Enquanto isso, a China anunciou um aumento das suas contribuições para a OMS, prometendo 500 milhões de dólares ao longo de cinco anos, tornando-se o maior financiador nacional da organização.
QUESTÕES QUE NÃO PODEM SER IGNORADAS
➡️ Por que África continua a pagar o preço quando as grandes potências transformam a saúde em instrumento político?
➡️ Quando os governos africanos irão priorizar seriamente o financiamento da saúde pública, reduzindo a dependência da ajuda externa?
➡️ Quantas vidas ainda terão de ser perdidas antes de assumirmos a responsabilidade pela saúde dos nossos próprios povos?
Esta crise vai além da OMS. Trata-se da sobrevivência do continente africano. Doenças evitáveis continuam a matar milhares de pessoas todos os anos, enquanto decisões políticas globais aprofundam desigualdades.
Fonte
Bissau, 22 de janeiro de 2026
Por DMG TV / Digital Mídia Global TV