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Na Somalilândia, câmbio informal convive com forte avanço do dinheiro móvel

Na Somalilândia, o sistema de câmbio de moeda estrangeira funciona de forma descentralizada e maioritariamente informal, muitas vezes descrito como “a céu aberto”. Esta realidade resulta da instabilidade e da contínua desvalorização do xelim somali, que obrigam os cambistas a operar diretamente nas ruas e, em muitos casos, a recorrer a carrinhos de mão para transportar grandes volumes de notas.

Os cambistas licenciados expõem publicamente quantias elevadas de dinheiro, tanto em xelins da Somalilândia como em dólares americanos, sobre bancadas improvisadas nas calçadas. Chama a atenção a ausência visível de guardas armados ou de sistemas de segurança sofisticados. Ainda assim, o mercado é conhecido pelo elevado nível de segurança, sustentado na confiança comunitária e nas normas sociais. Não é raro que os operadores deixem o dinheiro sem vigilância durante os horários de oração ou de almoço, sem que ocorram furtos.

A logística das transacções reflete a fragilidade da moeda local. Para operações simples, são necessárias grandes quantidades de notas físicas, o que dificulta as compras do dia a dia. Um exemplo frequentemente citado é o câmbio de dólares ou euros para xelins: cerca de nove mil xelins são necessários para adquirir um único dólar, sendo que as notas mais comuns em circulação são de 500 e mil xelins. Este contexto é agravado pela inexistência de bancos credenciados internacionalmente e pela falta de tradição no uso de caixas automáticas (ATM).

Apesar destas limitações, a Somalilândia tem registado um avanço significativo no uso de dinheiro móvel. Cada vez mais cidadãos recorrem a pagamentos e câmbio através do telemóvel, reduzindo a necessidade de lidar com grandes volumes de papel-moeda. Esta transição digital surge como resposta prática à fraqueza da moeda local e às dificuldades logísticas do sistema tradicional.

Em síntese, o câmbio informal a céu aberto continua a desempenhar um papel central na economia da Somalilândia, coexistindo com uma verdadeira revolução no uso de tecnologias financeiras móveis, que coloca o território entre os mais avançados de África neste tipo de transacções.

Fonte: Expresso das Ilhas / Wikipedia / Trading Economics


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