O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou ontem quinta-feira que "não tem medo" de uma guerra com os Estados Unidos, em resposta às constantes ameaças do homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma eventual invasão da ilha.
"Não queremos uma guerra [com os Estados Unidos], mas também não temos medo. Estamos a preparar-nos para que não sejamos apanhados de surpresa nem derrotados", disse o chefe de Estado cubano numa entrevista à cadeia britânica Sky News.
Díaz-Canel garantiu que a retórica "ameaçadora", quase diária, do Governo norte-americano sobre uma agressão contra Cuba faz parte de "uma estratégia de intoxicação mediática e de guerra psicológica" para amedrontar o país e constitui uma "atrocidade e afronta" à dignidade do povo cubano.
"Somos um país de paz. Não somos uma ameaça para ninguém, pelo contrário, oferecemos solidariedade ao mundo. Portanto, Cuba não é uma nação em conflito, não somos uma colónia e não vamos renunciar à nossa soberania nem à independência", acrescentou.
O chefe de Estado cubano pronunciou-se após as declarações de Donald Trump que garantiam esta quarta-feira que, depois de muitas décadas, Cuba estava a "aproximar-se" da órbita dos Estados Unidos, quase um mês depois de o Departamento do Tesouro norte-americano ter imposto uma nova ronda de sanções ao topo político de Havana, ao mesmo tempo que mantém um bloqueio económico contra a ilha.
Na opinião de Díaz-Canel, a atual administração dos EUA disse "muitas mentiras" e “manipulou” a opinião pública internacional, enquanto Cuba enfrenta o ponto de "máxima pressão" após o endurecimento do bloqueio, que está a afetar o dia a dia dos cubanos.
Cuba vive uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro pelo cerco petrolífero dos EUA e a que se somaram, em maio, sanções a toda a pessoa ou entidade que apoie o Governo cubano ou que opere em setores chave, como a energia, a defesa, as finanças e a mineração.
O Executivo cubano solicitou esta semana à Assembleia Geral da ONU uma sessão para abordar os impactos do bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha.
A reunião deverá ter lugar a 7 de julho em Nova Iorque. (SIC).
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