A decisão do Conselho Municipal de Nampula de expulsar quatro cobradores da Empresa Municipal de Transportes Públicos de Nampula (EMTPN), por alegado desvio de receitas, está a gerar contestação entre os trabalhadores, que apontam falhas estruturais no próprio sistema de cobrança.
Segundo uma publicação do portal Ngani, os autocarros municipais circulam, há cerca de três meses, sem emissão regular de bilhetes aos passageiros, situação que, segundo os cobradores, compromete qualquer mecanismo fiável de controlo das receitas.
Apesar disso, o presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, responsabilizou recentemente alguns trabalhadores pelos baixos níveis de arrecadação registados na empresa, anunciando a expulsão de quatro cobradores.
Durante um encontro com motoristas e cobradores, o edil manifestou preocupação com as receitas diárias apresentadas. “Não é possível um autocarro deste tamanho arrecadar apenas dois mil meticais por dia. Com esse valor nem sequer conseguimos abastecer os autocarros.”
Giquira afirmou ainda que a recuperação financeira da empresa poderá ficar comprometida caso persistam práticas que considerou lesivas para a sustentabilidade da EMTPN. “Levámos anos a recuperar a imagem da empresa. Hoje estamos a tentar dar uma nova vida à EMTPN, mas há comportamentos que nos estão a afundar novamente.”
Contudo, a versão apresentada pelos trabalhadores é diferente. De acordo com os cobradores, a empresa deixou de fornecer bilhetes para cobrança de passageiros há aproximadamente três meses, obrigando-os a trabalhar num sistema assente apenas na cobrança directa em numerário.
“Estamos há bastante tempo sem receber bilhetes. Perguntamos o que está a acontecer, mas ninguém explica. Continuamos a trabalhar porque precisamos de sustentar as nossas famílias, mas sabemos que o sistema não oferece garantias.”
Os trabalhadores entendem que a expulsão dos quatro colegas não resolve as causas dos problemas financeiros enfrentados pela empresa. “Se não existem bilhetes, também não existe controlo. Não se pode responsabilizar apenas os cobradores por um problema que começou dentro da própria empresa.”
Além da falta de bilhetes, os funcionários apontam deficiências na fiscalização interna e na organização operacional da EMTPN como factores que contribuem para a fraca arrecadação.
Fonte MOZNEWS
