Durante 33 anos, este centro de saúde foi o primeiro abraço de milhares de crianças ao mundo. Foi ali que mães choraram de alegria ao ouvir o primeiro choro dos seus filhos, onde famílias encontraram esperança e onde tantas vidas foram salvas.
Hoje, o mesmo hospital parece pedir socorro.
As torneiras deixaram de correr. As casas de banho estão fechadas há meses. Doentes e acompanhantes são obrigados a levar água de casa para receber cuidados médicos. Os muros estão destruídos, o telhado degradado, as portas e janelas danificadas e, durante a noite, a escuridão toma conta de uma unidade sanitária que deveria transmitir segurança.
Nem os equipamentos escapam. O laboratório foi alvo de assaltos, computadores e materiais essenciais para exames foram roubados, reduzindo a capacidade dos profissionais de saúde de atenderem quem mais precisa.
O mais doloroso é que este não é apenas um edifício a degradar-se. É a esperança de milhares de pessoas que se vai desfazendo parede após parede. É a mãe que chega para dar à luz sem condições dignas. É o doente que percorre quilómetros à procura de tratamento e encontra um hospital que também precisa de ser salvo.
Quem conheceu o Centro de Saúde 1.º de Junho nos seus melhores dias diz que custa acreditar no estado em que se encontra. O lugar que já foi motivo de orgulho para KaMavota transformou-se num retrato do abandono.
Enquanto isso, profissionais de saúde continuam a fazer o possível com os poucos meios que têm, e utentes esperam que alguém olhe para este hospital antes que o seu silêncio custe ainda mais vidas.
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