Em Uganda, a luta contra os buracos nas estradas acaba de entrar numa nova fase: a fase militar. O general Muhoozi Kainerugaba, chefe das Forças Armadas e filho do presidente Yoweri Museveni, anunciou que o exército vai assumir o controlo das obras rodoviárias na capital, Campala, e deixou um recado que fez muitos empreiteiros engolirem em seco.
Segundo o general, qualquer empresa que receba dinheiro do Estado para construir estradas e entregue apenas crateras, lama e promessas poderá enfrentar consequências severas. Num discurso que rapidamente incendiou as redes sociais, Kainerugaba chegou a afirmar que os empreiteiros que roubarem fundos públicos e deixarem buracos nas vias “podem perder a vida”.
A declaração transformou uma simples conferência sobre infraestruturas num verdadeiro filme de ação africano, onde os fiscais usam farda militar e os empreiteiros olham para cada buraco no asfalto como se fosse uma prova criminal.
A medida prevê que a Brigada de Engenharia das Forças de Defesa do Povo de Uganda (UPDF) passe a liderar diretamente os principais projetos rodoviários. O argumento é simples: enquanto algumas empresas privadas gastam milhões e deixam obras inacabadas durante anos, os militares garantem ter concluído recentemente uma estrada em apenas quatro meses e com custos muito inferiores.
Perante décadas de denúncias de corrupção, desvios de fundos e estradas que parecem sobreviver apenas até à primeira chuva, muitos cidadãos receberam a notícia com entusiasmo. Nas ruas de Campala, há quem diga que os buracos finalmente encontraram um adversário à altura.
A decisão, contudo, está longe de reunir consenso. Enquanto uma parte da população celebra o que considera uma ofensiva necessária contra a corrupção, especialistas e organizações civis alertam para os perigos da crescente militarização da administração pública.
Fonte Ecotv
