
O governo de transição da Guiné-Bissau está a efectuar o pagamento dos salários dos professores em dinheiro vivo, fora do sistema bancário formal, numa prática conhecida localmente como “pagamento por fora” ou “pagamento ilegal”. A medida tem gerado fortes críticas e inquietação no sector da educação, num contexto de instabilidade política e financeira no país.
Segundo informações avançadas pelo Bissau Online, vários professores de diferentes escolas são obrigados a permanecer mais de cinco horas em filas para receberem os seus salários em numerário, sem qualquer registo bancário, o que levanta sérias preocupações quanto à transparência e à legalidade do processo.
Contactados pelo Bissau Online, dois altos funcionários do Ministério das Finanças revelaram que o governo enfrenta uma grave escassez de liquidez no sistema bancário. De acordo com as mesmas fontes, o Executivo terá recorrido a fundos obtidos fora do circuito financeiro formal, os quais, ainda assim, não são suficientes para cobrir integralmente as despesas salariais do Estado.
A situação ocorre na sequência da tomada do poder pela força por militares golpistas, a 26 de Novembro de 2025, após a derrota eleitoral do então Presidente da República, o general Umaro Sissoco Embaló. Durante o golpe, os militares invadiram a sede da Comissão Nacional de Eleições, destruindo computadores e servidores, numa alegada tentativa de impedir a divulgação dos resultados eleitorais.
Desde então, o general Horta Inta-a, braço direito de Umaro Sissoco Embaló, foi designado Presidente da República de transição, enquanto Ilídio Vieira Té, antigo director da campanha eleitoral de Embaló na região de Biombo, assumiu o cargo de primeiro-ministro.
A comunidade internacional condenou a tomada do poder pela força e anunciou sanções políticas e financeiras contra o regime de transição. O Banco Mundial, por sua vez, suspendeu todos os projectos de financiamento em curso na Guiné-Bissau, agravando ainda mais a já frágil situação económica do país.
Fonte MOZNEWS