
Ciclone Tropical Dudzai evolui no Índico sem impacto directo previsto, enquanto precipitação intensa já provoca mortes, deslocações e condiciona estradas e bacias hidrográficas no país
Moçambique enfrenta um agravamento do quadro hidrometeorológico, marcado por chuvas persistentes, cheias em bacias críticas e impactos humanos e infraestruturais significativos, num contexto em que o ciclone tropical Dudzai evolui no sudoeste do Oceano Índico sem referência directa nos boletins do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).
Segundo a previsão oficial do INAM, válida entre a tarde desta Terça-feira e a noite de Quarta-feira, são esperadas chuvas fracas a moderadas, localmente fortes e acompanhadas de trovoadas, em praticamente todo o país. As províncias do centro e norte — incluindo Zambézia, Sofala, Manica, Tete, Nampula, Cabo Delgado e Niassa — registam condições particularmente instáveis, com vento fraco a moderado e temperaturas máximas entre 29 e 32 graus Celsius.
No sul, Inhambane, Gaza e Maputo mantêm igualmente previsão de precipitação significativa, associada a vento de sueste, cenário que coincide com alertas hidrológicos activos emitidos pela Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH).
De acordo com o Aviso Hidrológico n.º 16/2025-26, está identificado risco moderado a alto de cheias nas bacias dos rios Búzi e Incomáti. Na bacia do Búzi, prevê-se agravamento de inundações nas zonas baixas devido à passagem de onda de cheia na estação de Goonda, com impacto potencial em assentamentos humanos, áreas agrícolas e na transitabilidade rodoviária, incluindo os troços Estaquinha–Nova Sofala e Guara-guara–Vila do Búzi. Na bacia do Incomáti, antevê-se aumento significativo do escoamento nas próximas 48 horas, afectando zonas agrícolas e vias terciárias no sul do país.
O impacto humano das chuvas já se faz sentir. Dados divulgados pela UNICEF Moçambique, com base no OCHA, indicam 21 mortes registadas, mais de 5.700 pessoas deslocadas em centros de acomodação e mais de 75 mil pessoas afectadas em diferentes regiões do país, enquanto os parceiros humanitários prestam assistência com recursos limitados.
No sector das infra-estruturas, a Administração Nacional de Estradas (ANE) confirmou a reabertura da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1), na ponte sobre o rio Muar, no distrito de Machanga, província de Sofala, após trabalhos provisórios de emergência. Contudo, o transbordo do rio Gorongosa provocou o galgamento da ponte no troço Muxungue–Save, mantendo a circulação condicionada, numa altura em que equipas técnicas continuam no terreno a monitorar danos em vários pontos do país.
Paralelamente, no plano regional, a Météo-France informa que o ciclone tropical Dudzai, o sexto sistema monitorado da época ciclónica 2025/2026, encontra-se a mais de 1.500 quilómetros a leste-nordeste da ilha Rodrigues, deslocando-se lentamente para oeste-noroeste. Em termos simples, este movimento indica que o sistema avança pelo oceano em direcção ao continente africano, mas ainda muito distante de Moçambique, sem previsão de influência directa nos próximos dias.
O sistema apresenta sinais de enfraquecimento temporário, podendo voltar a intensificar-se antes do fim de semana, com uma trajectória ainda incerta e maior probabilidade de afectar zonas insulares do Índico, como Rodrigues, do que o território moçambicano. As autoridades meteorológicas sublinham que estas projecções devem ser interpretadas com cautela.
📌 Fonte: INAM / Météo-France / DNGRH / UNICEF-OCHA / ANE