
Cinco jornalistas moçambicanos destacados para a cobertura da participação da selecção nacional de futebol, os Mambas, no Campeonato Africano das Nações (CAN), no Reino de Marrocos, enfrentam sérios problemas logísticos que colocam em causa a sua subsistência básica, chegando alguns a relatar risco de fome.
Os profissionais, que recorreram ao movimento #SocorroMatavel, denunciam uma série de constrangimentos que se agravaram após a qualificação dos Mambas para os oitavos-de-final da prova. Entre as principais dificuldades estão a inexistência de transporte oficial, as longas distâncias entre o local de hospedagem e os campos de treino — superiores a 20 quilómetros — e a falta de apoio logístico essencial desde o início da missão.
Ao contrário do que aconteceu na edição anterior do CAN, realizada na Costa do Marfim, os jornalistas não dispõem de qualquer meio de transporte assegurado, sendo obrigados a utilizar táxis pagos com recursos próprios, inclusive para a cobertura dos jogos da selecção nacional. Segundo os profissionais, esta situação esgotou rapidamente os limitados fundos disponíveis, deixando alguns sem condições mínimas para alimentação e outras necessidades básicas.
Com o apuramento dos Mambas para a fase seguinte, os jornalistas foram deslocados para outra cidade, onde lhes foi garantido apenas alojamento e pequeno-almoço, ficando as restantes refeições a cargo dos próprios profissionais.
Paradoxalmente, a qualificação histórica da selecção nacional trouxe novos desafios. Alguns jornalistas moçambicanos foram forçados a regressar a Maputo antes do fim da participação dos Mambas, por não conseguirem suportar os custos adicionais relacionados com a alteração das datas de regresso nas passagens aéreas.
Os profissionais manifestam ainda perplexidade ao compararem a sua situação com a de jornalistas de países que enfrentam contextos políticos e económicos mais difíceis do que Moçambique, mas que, ainda assim, beneficiam de melhores condições de apoio.
Diante deste cenário, os jornalistas apelam ao Ministério da Juventude e Desporto, em particular ao Fundo de Promoção Desportiva, para que demonstre sensibilidade, tendo em conta que estão a registar um momento histórico para o país.
A nossa reportagem contactou o Fundo de Promoção Desportiva, mas até ao fecho deste texto não obteve qualquer pronunciamento. Trata-se de um assunto que continuará a ser acompanhado.