
Em pleno período chuvoso, quando a malária atinge o seu pico e milhares de moçambicanos dependem do Sistema Nacional de Saúde para sobreviver, a Central de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM) foi palco de um dos maiores roubos de antimaláricos dos últimos anos.
De forma gradual, organizada e com conivência interna, foram desviados 844.860 tratamentos de antimaláricos, o equivalente a quase 900 mil doentes sem acesso ao tratamento. Cada tratamento corresponde a uma vida que poderia ter sido salva.
O mais grave é que o crime não envolveu civis comuns, mas funcionários da própria Central de Medicamentos, incluindo um trabalhador do armazém e dois seguranças, que tinham a responsabilidade de proteger os fármacos destinados à população. No total, seis pessoas estão detidas, entre funcionários, seguranças e compradores.
Parte dos medicamentos foi apreendida em Chimoio, onde a CERNIC, em coordenação com a PGR e a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos, recuperou apenas 5.100 tratamentos, menos de 1% do total roubado.
No mesmo local foram encontrados outros fármacos desviados, como amoxicilina, azitromicina e fenoximetilpenicilina, confirmando que o esquema não se limitava aos antimaláricos.
Fonte Ecotv