
O encontro, agendado para o final deste mês, visa delinear estratégias para a “retirada urgente” do atual presidente do partido e encontrar soluções para a profunda crise interna que atravessa a maior força da oposição em Moçambique.
Os desmobilizados da Renamo estão a organizar um encontro nacional para a última semana deste mês. O principal objetivo da iniciativa é forçar o afastamento de Ossufo Momade da presidência do partido, alegando uma gestão ineficaz e a necessidade de “reconfigurar a direção e os seus objetivos”.
Organizados sob a designação de Comissão Nacional de Gestão da Renamo, este grupo chamou a si a responsabilidade de conduzir trabalhos político-partidários para corrigir o que consideram ser desvios na gestão atual. Em declarações à imprensa, Edgar Silva, membro da referida comissão, afirmou que a prioridade é a realização de um congresso extraordinário.
“É a primeira vez que nos vamos sentar todos juntos para delinear ações que permitam, num futuro muito breve, alcançar o congresso que ponha termo a esta clivagem interna. Queremos, fundamentalmente, a remoção do presidente Ossufo Momade”, explicou Silva ao jornal Notícias.
A contestação ganhou fôlego após o último Conselho Nacional da Renamo, realizado em outubro do ano passado, na província de Nampula. Segundo os desmobilizados, houve uma “falta de objetividade” nas deliberações tomadas na altura.
Os críticos acusam Momade de não ter apresentado diretrizes claras para o futuro do partido, limitando-se a anunciar que abandonaria a cena política apenas no fim do seu mandato, algo que não satisfaz as alas que exigem uma renovação imediata para preparar as próximas frentes eleitorais.
Enquanto a tensão interna cresce, outros setores do partido tentam manter a normalidade institucional. Na província de Maputo, membros da delegação política da Renamo foram recebidos pelo Secretário de Estado, Henriques Bongece.
Samuel Mandlate, delegado político da Renamo na região, assegurou que o partido continua a trabalhar ao nível provincial, apesar de os membros estarem atualmente a operar fora dos escritórios habituais, uma vez que estes terão sido ocupados pelos desmobilizados. Por seu turno, o Governo, através de Bongece, reiterou que está atento à situação para garantir a ordem e a tranquilidade públicas na província
Fonte MOZNEWS