
Os profissionais de saúde em Moçambique anunciaram a possibilidade de avançar para uma greve geral caso o Governo não proceda, no prazo de 15 dias, ao pagamento integral e atempado do 13.º salário aos funcionários públicos. A posição foi tornada pública pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que considera o subsídio um direito legal e não negociável.
Em conferência de imprensa, o presidente da APSUSM afirmou que, caso o Governo não cumpra a obrigação, todas as unidades sanitárias do país poderão encerrar, colocando em risco o funcionamento do sistema nacional de saúde. Segundo a associação, a não observância deste direito terá consequências graves e imediatas tanto na vida dos profissionais como na qualidade dos serviços prestados à população.
A APSUSM sublinha ainda que a escassez de medicamentos, insumos hospitalares e alimentação nas unidades sanitárias tem agravado a situação ao longo do ano, resultando em mortes consideradas mais graves do que outros episódios de violência registados no país. A organização acusa o Governo de falta de acções concretas e de silêncio perante os problemas enfrentados diariamente pelos profissionais e utentes.
A associação, que representa cerca de 65 mil profissionais de saúde em todo o território nacional, deu um ultimato ao Executivo, reiterando que o 13.º salário não é matéria de negociação. Paralelamente, recorda que já foram feitos alertas anteriores sobre deficiências alarmantes no sector e pedidos de diálogo para evitar paralisações prolongadas.
Apesar das promessas governamentais de melhoria das condições de trabalho e valorização da carreira dos profissionais de saúde, a classe mantém-se firme e não descarta novas greves, à semelhança das ocorridas nos últimos anos em hospitais centrais do país.