
O distrito da Massinga, na província de Inhambane, foi palco, esta semana, da cerimónia de empossamento dos coordenadores distritais do partido ANAMOLA, um acto que marcou o fortalecimento da estrutura organizacional da formação política e a sua aproximação às comunidades locais.
Após a cerimónia, o Presidente do ANAMOLA, Venâncio Mondlane, dirigiu-se ao país através de um comunicado à Nação, no qual apresentou uma análise crítica da situação nacional, abordando diversos desafios que afectam Moçambique.
No seu pronunciamento, Mondlane destacou a crise no sector da agricultura, o elevado desemprego registado ao longo da última década — estimado em cerca de 4,5 milhões de cidadãos — com particular impacto sobre a juventude, bem como o declínio das indústrias e o colapso do sistema de saúde. Criticou ainda o que considerou ser uma propaganda política distante da realidade vivida pela população.
O dirigente político defendeu a necessidade urgente de garantir condições dignas de sobrevivência e subsistência, sublinhando que estas são fundamentais para a valorização do funcionário público. Manifestou preocupação com a situação dos professores, devido ao não pagamento de horas extras, com as dívidas acumuladas junto dos médicos e com o abandono dos idosos, vítimas de um sistema de segurança social que, segundo afirmou, não responde adequadamente às suas necessidades.
Venâncio Mondlane alertou igualmente para o crescimento do crime organizado, com destaque para a indústria dos sequestros, que, segundo referiu, se expandiu desde 2011 e movimenta cerca de 450 milhões de dólares. Denunciou alegada cumplicidade de membros das Forças de Defesa e Segurança, situação que, no seu entender, tem contribuído para a fuga de empresários e para o agravamento do clima de insegurança no país. Abordou ainda o tráfico de drogas, afirmando que Moçambique se tornou um corredor internacional do narcotráfico, conhecido como a “costa da heroína”.
No final do seu discurso, o Presidente do ANAMOLA denunciou actos de intolerância política contra partidos da oposição e reafirmou o compromisso do seu partido com a democracia, o pluralismo e a defesa dos interesses do povo moçambicano.
Em resposta ao comunicado, centenas de cidadãos marcharam lado a lado com Venâncio Mondlane, num gesto simbólico de apoio à mensagem apresentada. A marcha decorreu do Mercado Grossista até à Vila-Sede da Massinga, num ambiente marcado pela unidade, consciência cívica e afirmação popular.